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Corretora da Sonae quer liderar em Angola

24.08.2020
JMDF detalhe

A MDS, a corretora de seguros que nasceu no grupo Sonae, em 1984, para dar resposta à preocupação de Belmiro de Azevedo com os riscos da sua empresa e que acabou por se tornar global, acaba de comprar a angolana Media e subir ao segundo lugar no ranking dos maiores corretores do país.

Líder em Portugal e número 3 no Brasil, a corretora assume a sua ambição para Angola, onde entrou há seis anos e tem 3% do volume de negócios de €76 milhões. "Quando investimos num país é sempre para sermos referência. Temos muitas condições para vir a liderar em Angola e estamos nesse caminho”, diz ao Expresso José Manuel Dias da Fonseca, presidente da MDS, sem revelar o valor da aquisição.

"São milhões de kwanzas”, diz apenas o gestor. "Não sendo possível transformar kwanzas em dólares, consolidar é a forma natural de estar no país” e a Media permite, também, "integrar capital humano fundamental para MDS”, explica.

Em Moçambique, uma operação mais recente, o objetivo é aproveitar o potencial do mercado para crescer rapidamente. A partir destas duas bases, a missão é expandir para outros países africanos.

Com 860 trabalhadores, 600 dos quais em 12 escritórios no Brasil, e habituada a dar saltos anuais de dois dígitos desde 2007, "mesmo nos anos da crise financeira”, a MDS gere uma carteira de créditos de €700 milhões e assume "olhar para o mapa-mundo como a sua geografia natural”. "Temos 10% de uma empresa que está presente em 115 países”, sublinha Dias da Fonseca quando fala da Brokerslink, a rede global de corretagem sediada na Suíça que fundou em 2004, com mais cinco corretores, e onde a MDS continua a ser um dos principais acionistas, garantindo um lugar no top 10 mundial do sector.

"Como corretores de um país periférico, abrimos muitas portas no relacionamento direto com os maiores do mundo. Temos operações diretas em sete países, mas garantimos parcerias estratégicas com os maiores operadores à escala global”, explica Dias da Fonseca, presidente da Brokerslink, que representa uma carteira de prémios de €30 mil milhões, e foi distinguido pela Federação Europeia de Gestores de Risco como Broker Leader do ano em 2018.

Riscos e pandemia

Única corretora dos países de língua portuguesa no Lloyd’s, o maior mercado de seguros especializados do mundo, a MDS também fez da diversificação das linhas de negócio pilar de crescimento, estando presente da corretagem de seguros à consultoria de risco, corretagem de resseguro, consultoria de benefícios e gestão de cativas, tendo  criado em Malta, em 2015, a  HighDome, para oferecer aos clientes soluções alternativas de  financiamento dos seus riscos através de "células de negócio”, como a que foi disponibilizada a uma multinacional francesa do sector ótico para vender óculos e também seguros para eles.

"Gostamos de crescer por diferentes vias”, assume Dias da Fonseca, que também aposta na tecnologia e na inovação na oferta para engordar e diferenciar a MDS. Como? Com propostas como o corretor totalmente digital destinado a expatriados, com produtos adaptados às soluções a que cada um está habituado no seu país, ou o FlySafeGo, um seguro pioneiro na Europa para drones que permite aos utilizadores contratar, via app, uma solução de proteção do aparelho por tempo de utilização que inclui alertas para situações de risco. 

Em ano de pandemia, Dias da Fonseca não tem dúvidas de que o negócio se vai ressentir, até porque as perdas provocadas    pela pandemia no sector segurador têm já uma estimativa que aponta para mais de €100 mil milhões a somar às perdas financeiras, a sinistralidade no semestre está no nível do ano anterior e o desemprego tem impacto imediato nos seguros de acidentes de trabalho e de vida. Admite, no entanto, que o volume de vendas da MDS poderá crescer até aos €80 milhões (+5%) e continua atento a oportunidades de expansão, apesar de "tudo ficar mais difícil sem viajar, sem conhecer as pessoas”. 

Quanto aos grandes riscos do momento e às tendências de um sector sempre atento à evolução da economia e da sociedade, além dos riscos ambientais e do ciber-risco, refere os riscos sociais/violência política, já a refletir o impacto de movimentos de contestação em todo o mundo, dos coletes amarelos, em França, ao assassínio de George Floyd pela polícia em Minneapolis.  E o risco de pandemia? "Estão todos a trabalhar nisso, porque os factos criam a necessidade”, comenta, sem esquecer que há menos de dois anos o maior corretor do mundo juntou-se à maior seguradora do mundo para fazerem um produto para a pandemia que ninguém comprou.


Fonte: Expresso - Economia | Seguros

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