voltar

Covid-19 e o Meio-ambiente: como os níveis de poluição já foram alterados na China e na Itália

24.03.2020
Covid-19 e o Meio-ambiente: como os níveis de poluição já foram alterados na China e na Itália

Enquanto o mundo e a sociedade estão numa espécie de stand by devido à pandemia do Covid-19, o vírus começa a mostrar as suas várias implicações na vida como a conhecemos. São já visíveis as consequências deste isolamento global, principalmente no sector sócio-económico, com o encerramento de várias empresas e indústrias ou a adaptação para trabalho remoto, noutras realidades. Embora as opiniões não sejam lineares, existem já várias previsões que advertem para a recessão económica que aí vem: segundo o World Bank, a pandemia poderá arrasar 5% do PIB Global; também a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) previu, no início de março, que a Covid-19 poderia reduzir em metade o crescimento da economia mundial em 2020, situando-o em 1,5%, mas admite agora que já avançámos muito mais do que o cenário mais severo que foi previsto então”, assumiu o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría. 


Os bloqueios nacionais e internacionais têm, no entanto, revelado também alguns aspectos menos negativos. Exemplo disso mesmo é a redução de emissões de CO2, estimada em menos um milhão de toneladas por dia. Estes efeitos, primeiro notados na China com a redução de cerca de 40% nos níveis de dióxido de hidrogénio (N02), são agora notados um pouco por todo o planeta. A queda na procura do petróleo, o abrandamento no consumo de carvão, a suspensão de milhares de voos, ou mesmo a redução do trânsito e do turismo são alguns dos factores que potenciaram esta redução. A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou recentemente um relatório que indica que a procura global de petróleo deve contrair-se este ano pela primeira vez desde 2009. 


Se precisarmos de exemplos mais concretos, vejamos as imagens dos canais de Veneza, num dos países mais afectados pelo Coronavírus, que inundaram as redes sociais estes dias. Segundo moradores, pela primeira vez em muito tempo, as águas estão límpidas e transparentes. 


A emergência climática é, de resto, um dos temas mais polémicos nos últimos meses. O assunto é falado nos media, nas redes sociais, nas reuniões da Comissão Europeia e de outras instituições igualmente importantes, mas nem por isso parece estar resolvido.


As tempestades extremas frequentes, as inundações de zonas ribeirinhas, a desertificação de vastas áreas outrora férteis, a imolação pelo fogo de hectares e hectares de floresta, o fim dos glaciares, a poluição do ar que leva a um cada vez maior número de alergias e doenças respiratórias são alguns dos fenómenos a que assistimos diariamente sem solução aparente. A importância do tema tem feito surgir movimentos ecologistas cada vez mais fortes, até adaptáveis a estilos de vida, como é o caso do zero waste ou do vegetarianismo. É certo que grande responsabilidade é dos órgãos governativos, mas é também de todos e cada um de nós que, com as nossas atitudes diárias, contribuímos para o bem ou mal-estar do planeta.  


Ninguém suspeitaria, no entanto, que uma catástrofe mundial como é a pandemia do Codiv-19 resultaria quase num milagre ambiental. Por pior que esta situação esteja a ser, está também a ser elucidativa sobre os efeitos das ações do ser humano no meio ambiente e na natureza. O que se pede hoje é que o "milagre” que estamos a verificar não seja esquecido quando tudo voltar ao normal, na habitual correria entre casa-trabalho-casa, e que levemos connosco algumas lições. 



Como o mercado segurador cobre os danos ao meio-ambiente?


Apesar de não existirem seguros que cubram as perdas ambientais causadas pelas alterações climáticas, o mercado segurador dispõe de um produto relacionado. O seguro de Responsabilidade Ambiental, desenhado especificamente para empresas e adaptado à legislação portuguesa, protege em caso de acidentes ou danos causados ao ambiente pela própria empresa. As coberturas disponíveis incluem custos de reparação, custos de defesa e mitigação e reparação de danos ambientais. 


O mundo tem sofrido graves impactos dos fenómenos climáticos nas últimas décadas. Em Portugal, não é preciso recuar muito: a tempestade Leslie, no final de 2018, provocou, de acordo com a Associação Portuguesa de Seguradores, mais de 38 mil sinistros cobertos por apólices de seguros, a que corresponde um valor agregado de danos de 101 milhões de euros. Em agosto de 2018, na sequência do incêndio na Serra de Monchique, foram apurados danos superiores a 2 milhões de euros, num total de 118 sinistros, originado um total de 103 milhões de euros de perdas. Em 2017 os grandes incêndios provocaram prejuízos avaliados em mil milhões, com as indemnizações dos seguros a atingirem 250 milhões.  As seguradoras estão preocupadas com estes prejuízos e reconhecem a dificuldade de proteção. Alguns danos, apesar de segurados, não deixam de ser irreversíveis para o meio-ambiente e muito difíceis de medir. 


A mudança climática já não é apenas uma ameaça, mas sim uma realidade que exige adaptações a novas estratégias e ações de mitigação dos riscos. O Acordo de Paris chama os governos a usarem a sua capacidade de liderança, resiliência e inovação para que as metas de 2015 sejam atingidas. Não sobram muitas alternativas: não há um segundo Planeta Terra. There's no Planet B. 

Política de Cookies

Este site utiliza Cookies. Ao navegar, está a consentir o seu uso. Saiba mais

Compreendi