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Desafios perante doenças e pandemias

Fonte: Jornal Económico 27.03.2020
Desafios perante doenças e pandemias
Os riscos no mundo atual são cada vez maiores e preocupantes. Os elevados níveis de atividade económica, num mundo cada vez mais globalizado, faz com que algo que aconteça num país provoque uma cadeia de feitos interligados à escala global.

Se tal não bastasse, assistimos a uma crescente recorrência de fenómenos extremos, com aumento da sua gravidade. Seja a nível ambiental, social ou pandémico, os casos sucedem-se, sendo um dos exemplos mais recentes o Coronavírus. Esta pandemia, que terá surgido na China no final do ano passado, está hoje a ameaçar pessoas e negócios em todo o mundo. Muitas empresas já optaram ou foram forçadas a suspender as suas atividades, perdendo receitas e, assim, colocando em perigo a sua própria sustentabilidade futura.

Face a tão grande instabilidade, os seguros ganham uma importância cada vez maior na sociedade. O seu papel é proteger pessoas e bens, permitindo minimizar eventuais perdas e prejuízos em caso de sinistros que estejam previstos nas coberturas das suas apólices.
 
Para oferecer estas salvaguardas aos clientes, as companhias de seguros realizam a avaliação dos riscos com base em modelos estatísticos e previsionais. Estes modelos são fundamentais para avaliar se um risco é passível de ser coberto e a que preço. O equilíbrio nesta equação é crucial para que as seguradoras sejam elas próprias sustentáveis do ponto de vista financeiro e, assim, fazerem face às responsabilidades que possam surgir no âmbito dos contratos de seguro.

É preciso ter noção de que as seguradoras responsáveis não podem cobrir todo e qualquer risco. Fazê-lo seria colocarem todo um sector à beira do colapso e, consequentemente, toda a sociedade.
Ou seja, há riscos em que as seguradoras não podem substituir o Estado. E as pandemias são um deles! Hoje ainda há seguros que têm coberturas para situações de pandemia, mas a tendência é para que esta oferta seja cada vez mais restritiva. O crescente número de situações e a sua gravidade têm influência nos modelos preditivos dos seguros, que têm que considerar uma maior probabilidade de que pandemias aconteçam. Esta crescente probabilidade vai tornar os prémios de seguros cada vez mais elevados e potencialmente incomportáveis, o que faz com que seja necessária essa uma maior assunção de responsabilidades pelos Estados. 

Enquanto cidadãos, o que podemos e devemos fazer é tomar todas as precauções possíveis de forma a minimizar os impactos destas catástrofes pandémicas, contribuindo para reduzir as perdas potenciais e tornar os seguros viáveis em articulação com a responsabilidade dos Estados. Temos de nos adaptar para sobreviver a esta luta: adaptar métodos de trabalho, adaptar modos de vida e atitudes. Desta capacidade de adaptação depende não só a nossa sobrevivência, mas também a das nossas empresas e da Economia no geral.




Ana Mota, diretora de Employee Benefits da MDS Portugal

Artigo para o próximo suplemento Quem é quem nos seguros do Jornal Económico

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