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Seguro de saúde. E agora?

19.06.2020
Seguro de saúde. E agora?

E agora?

Nunca a frase "o que importa é ter saúde, o resto vem por acréscimo” fez tanto sentido como nesta nova realidade em que vivemos.

O seguro de Saúde, disponível em Portugal há mais de três décadas, começou por se chamar seguro de Doença e funcionava num sistema de reembolso, em que o cliente escolhia livremente o prestador, sendo posteriormente ressarcido de uma parte das despesas. Na década de 90 surgiram os modelos de managed care e a criação de redes de prestadores, que permitiram um maior controlo da qualidade dos serviços prestados e dos custos associados.

Mas a mudança foi mais que uma simples alteração de designação: foi reflexo de uma mudança de paradigma com crescente foco nos cuidados de saúde, em detrimento de uma postura de mero pagador de despesas com doenças. Nos últimos anos é notória a evolução do sector com a aposta na prevenção e na criação e disponibilização de serviços complementares para a promoção da saúde e bem-estar.

A pandemia que nos bateu à porta, de forma abrupta, veio muito provavelmente impor um novo significado ao seguro de Saúde e criar novos hábitos de consumo.

Quase de um dia para o outro, os consumidores aderiram ou intensificaram a utilização dos sites de Medicina online e tiveram acesso a testes de despiste do COVID-19, o que contribuiu para aliviar a pressão junto do Serviço Nacional de Saúde.

De realçar que, em contexto de pandemia, é da responsabilidade das autoridades de saúde pública determinar as medidas de combate à doença e o respetivo controle, sendo esta uma das principais razões pela qual estas situações são uma exclusão comum dos contratos de seguro de Saúde em Portugal. De igual modo, geralmente estão excluídas as situações que competem ao Estado assegurar e que não estão disponíveis no sector privado, como, por exemplo, vacinas e transplantes de órgãos.

No entanto, houve exceções e o setor segurador alargou o âmbito do apoio prestado. Foi o caso de seguros de filosofia mutualista ou de seguradores que derrogaram temporariamente a exclusão das despesas de internamentos em unidades privadas para doentes infetados por COVID-19, suportando a totalidade dos custos.

As epidemias e pandemias sempre estiveram excluídas da maioria dos clausulados dos seguros de Saúde, mas nunca foi dada muita importância porque se pensava que a probabilidade de acontecer era diminuta, logo não era prioridade a sua derrogação.

 

Em 2020 tudo mudou

Ao nível das empresas, o seguro de Saúde continua a ser um dos benefícios mais valorizados pelos colaboradores e constitui, hoje, um importante instrumento da área de Recursos Humanos na atração e retenção de talento.

De acordo com os resultados preliminares do estudo MDS Research – Situação Económica em Portugal, neste momento, a proteção dos colaboradores é apontada como uma das maiores preocupações por cerca de 47% dos inquiridos, tendo sido identificada a necessidade de contratação ou reforço do seguro de Saúde.

De destacar que o seguro de Saúde é também o principal seguro contratado facultativamente pelas famílias, que cada vez mais sentem a importância de reforçar a sua proteção nesta área, principalmente para fazer face a despesas médicas mais avultadas que possam surgir em caso de doenças graves. Nestes casos, a contratação de seguros de Saúde individuais tem como principal objetivo complementar a oferta do sistema público, com vantagens em termos de rapidez no acesso e de liberdade de escolha.

 

E no futuro?

Os seguros existem para cobrir riscos e as consequências desses mesmos riscos, o que exige uma constante adaptação. As catástrofes epidémicas vão ter de ser olhadas de outra forma, nada será como dantes. Os modelos preditivos vão ter de considerar maior probabilidade de ocorrência de pandemias e as coberturas das apólices vão ter isso em consideração. É assim provável que venham a existir, de forma mais generalizada, opções com a cobertura de pandemias, que terão obviamente um custo acrescido.

Mas a perceção do valor do seguro de Saúde para o consumidor também se alterou: a necessidade de acautelar os grandes riscos e não apenas coberturas de consumo vai estar mais presente na altura de selecionar um Plano de Saúde.

É previsível que a contratação de seguros de Saúde continue a aumentar pela clara perceção da vantagem da complementaridade ao sistema público, condicionada apenas pelo rendimento disponível das famílias. Uma outra grande tendência é o crescimento da oferta de seguros de Saúde com reforço de capitais, em especial nas coberturas de Doenças Graves (incluindo Oncologia e Doenças Degenerativas).

Ou seja, nada será como antes, e as questões trazidas por esta crise terão de resultar em oportunidades de evolução do seguro de Saúde.


Ana Mota - Diretora de Employee Benefits da MDS
Artigo publicado no suplemento Seguros da Vida Económica

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